quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Considerações sobre o Vegetarianismo

Em pauta
Embora o texto postado pertença a uma publicação Espírita, gostaríamos de ressaltar que o enfoque deste blog não é religioso, e que não objetivamos criticar qualquer crença religiosa. Apenas trataremos dos argumentos e idéias expostas no texto referentes ao VEGETARIANISMO.
Segue abaixo o texto original em preto e os nossos comentários em vermelho.



Espiritismo e vegetarianismo
Bernardinho da Silva Moreira

“Segundo diversos estudiosos do assunto, os seres humanos evoluíram como carnívoros, daí considerarem que temos o direito de viver, segundo nossas predisposições dietéticas naturais. Não há como negar, a humanidade está adaptada a uma dieta que tem como principal elemento a carne e não a uma dieta predominantemente vegetal. As provas são gritantes e como exemplo podemos citar, as populações de camponeses carentes que não dispõem de carne em abundância. Ora, sabemos que as populações forçadas a se alimentarem com uma dieta pobre em proteínas, mas com alto teor de carboidratos por muito tempo, acabam lamentavelmente sofrendo de problemas vários, tais: cirrose hepática, pelagra, beribéri, kwashior-kor (doença tropical que atinge crianças, causada por insuficiência de proteínas na alimentação. Esta é a denominação nativa em Gana) e outras mais causadas pela deficiência de proteínas.”

Para os que acreditam na versão Bíblia, a dieta descrita no livro de gêneses é a vegana. As recomendações dadas por Deus descritas neste livro eram para que Adão e Eva comessem dos frutos e não dos animais, também criados por Deus. Somente após o dilúvio é que Deus permitiu que os homens comessem carne. Encaro essa liberação do consumo de carne como algo pontual, ou seja, a questão pós dilúvio era de vida ou morte já que não existiam outras opções de alimentação por causa do forte estrago causado pela enorme chuva. Estender essa permissão para o século XXI, no qual existe uma facilidade de acesso a uma diversidade de alimentos para a grande maioria das pessoas, penso ser um exagero e uma má interpretação Bíblica. Para os que não acreditam na descrição literal da Bíblia, existem também outros argumentos plausíveis advindos de estudos da fisiologia humana. Dentes, unhas, acidez estomacal, comprimento de intestino e mastigação são diferentes quando é feita a comparação entre humanos e animais carnívoros. O homem da caverna pode até ter evoluído caçando animais para alimentação, mas isso não é justificativa para que esse hábito permaneça, até porque estamos evoluindo, correto? E as formas utilizadas pelo ser humano para evoluir nem sempre foram as naturais. E não é porque o homem evoluiu comendo carne TAMBÉM que a NATUREZA dele será carnívora. Se você oferecer uma fruta a um tigre ou a um cachorro, que são animais carnívoros, talvez eles até comam a fruta, mas isso não quer dizer que eles mudaram a natureza carnívora que possuem.
Será mesmo a natureza do homem carnívora? Você sente vontade de matar uma vaca com suas próprias mãos e comê-la crua?

“Um dos casos mais famosos na história do vegetarianismo, foi o de George Bernard Shaw que é citado como exemplo, devido sua vida ativa até aos noventa anos com sua dieta especial. Mas isso é apenas um lado da história, o que muitos não sabem é que uma anemia grave causada por seu vegetarianismo quase o matou em certo período, e ele só foi salvo por aceitar receber uma medicação à base de extrato de fígado. Isso na época causou um alvoroço, devido aos líderes do movimento vegetariano que irados, não pouparam o dramaturgo idoso dos ataques virulentos por ter desrespeitado os princípios do vegetarianismo, esquecidos ou pouco se importando com a sobrevivência de Shaw.”

Esse tipo de exemplo é lamentável. É querer achar “defeitos” ou falta de consenso na fala dos outros para justificar sua posição contrária. Por que Shaw resolveu ingerir um medicamento provindo de um animal anula todo o discurso vegetariano? Isso foi uma opção pessoal!
Anemia hoje em dia só se cura com medicamento à base de extrato de fígado e com a utilização da carne? Um estudo mais profundo do tema mostrará que NÃO. Acho que já está na hora de superar esse mito, informação hoje em dia é o que não falta! Para não me alongar no tema, recomendo a leitura do artigo escrito pelo nutricionista Jorge Guimarães, que está disponível em
www.vista-se.com.br/site/o-mito-da-proteina/.

“Consultando os Espíritos superiores sobre o tema em pauta, Kardec pergunta na questão 723:”
‘A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza?
- Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização.’ “

Basta observar a natureza. A vaca não é feita de carne? Ela come o quê? Capim!! Nem por isso vamos ver vacas atrofiadas e sem forças devido à falta de carne.

“Se a lei natural é lei de Deus e a lei de conservação também, tentar mudar o código divino, seria o mesmo que caminharmos para o abismo por vontade própria, o que seria, sem dúvida nenhuma, suicídio. Outro ponto importante, para cumprirmos com a lei de trabalho, não podemos fugir da responsabilidade de mantermos o vigor físico, que dependerá da alimentação em conformidade com a nossa organização.”

Como citado anteriormente, de acordo com a Bíblia, a nutrição original imposta por Deus era a vegana, logo, dá para concluir que era a natural.
Vigor físico? Éder Jofre, um dos maiores pugilistas Brasileiro, que foi inclusive campeão mundial, era vegetariano! Acredito que forças não lhe faltaram, não é? Fora outros atletas olímpicos que também são vegetarianos.

“Para aqueles que não estudaram o problema isso pode ser difícil de entender. Legumes são mais baratos do que carne, mas o problema é equilibrar o consumo de legumes a fim de produzir, através da habilidade humana, o equilíbrio de aminoácidos tão simplesmente oferecidos por qualquer pedaço de carne. Diferentes vegetais possuem diferentes aminoácidos essenciais, mas não na combinação certa: sem a combinação perfeita de todos os oito, nenhum deles produz o efeito necessário no aparelho digestivo humano. Isso significa que, a fim de produzir uma refeição vegetariana saudável, é necessário atingir um equilíbrio sutil baseado em conhecimentos bioquímicos, empregando a mistura certa de elementos botânicos. Isso demanda paciência e habilidade e explica porque, nas comunidades camponesas ignorantes, uma dieta, a inevitável dieta vegetal causa tantas doenças sérias. No estado atual das coisas, uma dieta vegetariana equilibrada é essencialmente um fenômeno de classe média alta. Em contrapartida, uma dieta vegetariana adotada de maneira imperfeita pelo povo continua sendo mortífera”.
“Essas são as palavras do zoologista e especialista em comportamento humano, Desmond Morris, registradas no livro ‘O Contrato Animal’.”

Não, vegetarianismo não é mortal. E também não é dieta de burguês. O próprio autor cita que legumes são mais baratos que a carne! E pobreza não é sinônimo de ignorância. Hoje em dia existem regras tão simples para se obter o máximo de nutrientes possível dos vegetais, como por exemplo, colorir o máximo possível o prato com diversos vegetais. E é bom deixar claro, não existe nenhum aminoácido necessário ao organismo humano que não seja encontrado nos alimentos do reino vegetal. Alguns estudos populacionais mostram que a dieta vegetariana - inclusive a vegana!! - excede a necessidade de aminoácidos essenciais.

“Conheci algumas pessoas que ao lerem sobre a vida de Francisco de Assis, deixaram de comer carne como se isso fosse deixá-las mais espiritualizadas. O interessante é que a moralidade, o amor ao próximo que era praticado pelo grande missionário de Assis é colocado em plano secundário ou, o que é pior, imediatamente esquecido.”
“Os fariseus também não comiam a carne de porco e outros animais, que segundo eles eram impuras; também vestiam-se de branco e lavavam as mãos, mas não lavavam a alma. Eram sepulcros caiados por fora e por dentro eram cheios de podridão.”

E quem disse que um comportamento anula o outro?! Se uma pessoa é vegetariana por ter consciência do valor da vida animal, pode ter certeza que por extensão da lógica, ela também dará valor à vida humana.
E ficar tentando ver tropeço no comportamento alheio para justificar sua crença é fugir do debate sério, por favor!



“Voltando ao mestre Kardec, iremos à questão 722:
‘Será racional a abstenção de certos alimentos,prescrita a diversos povos?
- Permitido é ao homem alimentar-se de tudo o que não lhe prejudique a saúde. Alguns legisladores,porém, com um fim útil, entenderam de interdizer o uso de certos alimentos e, para maior autoridade às suas leis, apresentaram-nas como emanadas de Deus.’ "

Hoje existem MUITOS estudos que mostram as vantagens da dieta vegetariana comparada a uma dieta com ingestão de carne. Principalmente na diminuição dos problemas cardiovasculares. Abaixo disponibilizareis alguns link’s de estudos.

“O importante não é só o que entra na boca do homem,mas principalmente o que sai!
A advertência de Desmond Morris deve ser analisada por todos nós:
‘Claramente,o movimento vegetariano, a despeito de suas boas intenções, está lutando contra a natureza, e sua luta desigual continuará até o dia distante em que os bioquímicos conseguirem finalmente criar uma dieta sintética completa a partir de elementos químicos básicos, própria para ser consumida por todos nós.’ “

O importante é o que ENTRA e SAI da boca do homem. Temos que assumir nossas responsabilidades por completo.
O movimento vegetariano luta pela vida, luta para mostrar que os animais não foram feitos para que o homem manipule de acordo com os próprios interesses. Animais são vidas independentes, com suas particularidades, funções e interesses.
Não, não precisamos de evolução tecnológica para aprimorar nossa nutrição, muito pelo contrário, ela sempre esteve disponível a todos que se dispôs a olhar com os olhos da compaixão.

Rand WM, Pellett PL, Young VR. Meta-analysis of nitrogen balance studies for estimating protein requirements in healthy adults. Am J Clin Nutr. 2003;77:109-127.
Position of the American Dietetic Association and Dietitians of Canada: Vegetarian diets. J Am Diet Assoc. 2003;103:748-765.(www.svb.org.br/artigos/artigos.htm).
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2007001600005 (Risco cardiovascular em vegetarianos e onívoros: um estudo comparativo)

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Aprovada lei para uso de animais em pesquisa e ensino

Em pauta:


A lei Arouca, que regulamenta o uso de animais em experiências científicas, e que tramitava no congresso desde 1995, foi aprovada no Senado por UNANIMIDADE nesta última terça-feira (09/8). Agora resta somente o Presidente da República sancioná-la. Essa nova lei permite a utilização de cobaias em estabelecimento de ensino superior e de ensino técnico na área Biomédica, em situações que constituem pesquisa ou programa de aprendizado.


Comentário:


A utilização de animais em pesquisa e ensino, além de ser uma prática eticamente questionável, pelos danos físicos e psicológicos aos quais os animais são submetidos, é um método que não garante que as informações obtidas com animais possam ser estendidas aos humanos, devido a enorme variação de respostas metabólicas que diversas espécies possuem em relação às toxinas e às doenças. Como exemplo, podemos citar a ação terapêutica em que uma dose de aspirina produz em humanos, e a sua ação venenosa para gatos e inócua para frebre em cavalo. O benzeno que provoca câncer em humanos e não em ratos. E a insulina que produz defeitos congenitos nos animais e não em humanos.

Como estamos criticando testes em animais, isso não quer dizer que queiramos que os testes em humanos necessitem ser feitos de forma danosa em seres humanos, mas queremos mostrar a fragilidade do método animal em diversos aspectos. É muito importante ressaltar que a maioria dos avanços médicos não foram atribuídos à experimentação animal, mas à melhora da nutrição, saneamento e outros fatores comportamentais e ambientais. Além disso, muitos avanços importantes na saúde são atribuídos a estudos em seres humanos, entre eles anestesia, bacteriologia, teoria do germe, o estetoscópio, morfina, rádio, penicilina, respiração artificial, anti-sépticos, a descoberta das relações entre colesterol e doenças do coração, entre cigarro e câncer, o desenvolvimento do raio-x e o isolamento do vírus que causa a AIDS. Testes em animais não contribuíram em nada nesses e nem em outros desenvolvimentos.

A ciência precisa se focar em desenvolver e aprimorar outros métodos alternativos e mais eficientes, como estudos clínicos e epidemiológicos em humanos, cadáveres, simulação de computadores e estudo "in-vitro". A humanidade e os animais agradecem!!


Finalizo com a frase do Psiquiatra Neal Barnard: “O estudante que se recusa a participar de atividade que parece ser ou é cruel aos animais deve ser encorajado e não desestimulado. Compaixão é muito mais difícil de se ensinar do que anatomia”.



Fontes: Revista da Semana e Instituto Nina Rosa

sábado, 6 de setembro de 2008

Quando a abolição da escravatura parecia quimérica

Em pauta:
Às vezes, fico pensando na luta de raríssimas pessoas há alguns poucos séculos atrás para libertação dos escravos, principalmente dos negros, os quais eram maioria absoluta. Imagino que essas pessoas eram taxadas de loucas e desprovidas do senso da realidade por defender algo tão enraizado na sociedade e muito importante para a econômia. Naquela época, defender direitos humanos independente de sexo ou raça era algo diferente, inovador e afrontador. Esse retrato, em meu ponto de vista, é bastante semelhante com o enfretado atualmente pelos defensores do abolicionismo animal. A história nos mostra que para vencer paradigmas vigentes e implantar novas concepções é necessário, geralmente, passar por três processos: ridicularização, tolerância e aceitação. Em qual etapa a defesa pelos direitos animais se encontra?
Abaixo posto um texto do livro "Bury the Chains - Prophets and Rebels in the Fight to Free an Empire's Slaves", de Adam Hochschild, publicado em 2005 pela Houghton Mifflin, e traduzido por Beatriz Medina. O texto conta a história da campanha pela abolição da escravatura na Grã-Bretanha nos séculos XVIII e XIX. Vale a pena ler e refletir.
"Em Londres, naquele início de 1787, se você dissesse numa esquina que a escravidão era moralmente condenável e que devia tornar-se ilegal, nove em cada dez pessoas morreriam de rir, achando que você estava maluco. A décima talvez concordasse em princípio, mas lhe garantiria que acabar com a escravidão seria totalmente impossível.
Aquele era um país onde a grande maioria do povo, dos camponeses aos bispos, aceitava a escravidão como totalmente normal. Também era um país onde o lucro das grandes fazendas do Caribe estimulava a economia, onde os impostos alfandegários sobre o açúcar cultivado pelos escravos eram uma fonte importante de renda do governo e onde o meio de vida de dezenas de milhares de marinheiros, mercadores e construtores de navios dependia do comércio de escravos. Este mesmo comércio atingira uma amplidão quase sem precedentes, levando prosperidade às cidades portuárias, entre as quais a própria Londres. Além disso, em cada vinte ingleses dezenove não tinham sequer o direito de votar. Privados deste direito mais básico, como poderiam ser levados a preocupar-se com o direito de outros povos, de cor de pele diferente, do outro lado do oceano?
Este mundo de servidão parecia ainda mais normal porque quem quer que olhasse para o passado não veria nada além de outros sistemas escravistas. Os gregos e romanos tinham escravos; os incas e astecas tinham escravos; os textos sagrados da maior parte das grandes religiões apresentavam a escravidão como coisa natural. A escravidão já existia antes do surgimento do dinheiro e da lei escrita. Era assim que o mundo - o nosso mundo - era há apenas dois séculos e, para a maioria do povo daquela época, era impensável que pudesse ser de outro modo.
Se insistíssemos, talvez alguns britânicos admitissem que esta instituição com certeza era desagradável - mas de onde viria o açúcar para o chá? Como os marinheiros da Marinha Real obteriam o seu rum? O comércio de escravos "não é um comércio agradável", como diria um membro do Parlamento, "mas o comércio de um açougueiro também não é um comércio agradável, só que, apesar disso, uma costeleta de carneiro é uma coisa ótima."
Claro que havia pessoas que preconizavam o fim da escravatura, mas eram raras e dispersas.
Com certeza havia no ar um sentimento de mal-estar latente. Mas sentir um problema vago, quase inconsciente, é uma coisa; coisa bem diferente é acreditar que algum dia possamos mudar esta situação de fato. O parlamentar Edmund Burke, por exemplo, opunha-se à escravidão mas achava que a simples idéia de dar fim ao comércio transatlântico de escravos (sem falar da escravidão propriamente dita) era "quimérica". Apesar do mal-estar que os ingleses do final do século XVIII pudessem sentir com o tema da escravidão, a idéia de acabar com ela parecia um sonho ridículo.
Quando os doze homens do comitê abolicionista se reuniram pela primeira vez em maio de 1787, os poucos que exigiam abertamente o fim da escravidão ou do comércio de escravos eram considerados meio doidos ou, no máximo, como idealistas incuráveis. A missão que empreenderam era tão monumental que parecia impossível a todo mundo.
Esses homens acreditavam não só que a escravidão era uma atrocidade como também que era uma coisa passível de solução. Achavam que, como os seres humanos têm capacidade de se preocupar com o sofrimento dos outros, o fato de expor a verdade à luz do dia incitaria o povo a agir.
Dali a alguns anos, a questão da escravatura chegara ao centro da vida política britânica. Havia um comitê pela abolição em todas as cidades e vilas importantes. Mais de 300.000 britânicos recusaram-se a comer açúcar produzido por escravos. As petições pela abolição inundaram o Parlamento com mais assinaturas do que nenhum outro tema jamais recebera.
Há alguma coisa misteriosa na questão da empatia humana e do que faz com que seja sentida em alguns casos e não em outros. O seu aparecimento súbito, naquele momento específico, pegou todo mundo de surpresa. Os escravos e os servos se rebelaram constantemente no decorrer da História, mas a campanha da Inglaterra foi uma coisa nunca vista: foi a primeira vez que um grande número de pessoas se mobilizou e manteve-se mobilizado durante vários anos em prol dos direitos de outros povos. Ainda mais espantoso: foi pelo direito de pessoas com outra cor de pele, num outro continente. Ninguém ficou mais surpreso com isso do que Stephen Fuller, representante em Londres dos fazendeiros da Jamaica, ele mesmo fazendeiro e personagem central do lobby pela escravidão. Enquanto dezenas de milhares de pessoas protestavam contra a escravidão assinando petições, Fuller espantou-se porque "não mencionavam nenhuma injustiça nem nenhum tipo de preconceito que afetava a elas mesmas".
Os abolicionistas tiveram sucesso porque levantaram um desafio enfrentado por quem quer que se preocupe com a justiça social: tornar visível os laços entre o próximo e o distante. É comum não sabermos de onde vêm as coisas que utilizamos; ignoramos as condições de vida daqueles que as fabricam. A primeira tarefa dos abolicionistas foi levar aos britânicos a consciência do que estava por trás do açúcar que comiam, do tabaco que fumavam, do café que bebiam."



Fonte: Grupo pela Abolição do Especismo - Porto Alegre - www.gaepoa.org

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Vincianos, Damascenos e Relutantes

Em pauta:
De acordo com o pensamento do filósofo Tom Regan, relatado no excelente livro chamado “Jaulas Vazias”, existe vários tipos de conversão à causa animal e, consequentemente, ao vegetarianismo ou veganismo. Sim, gosto de utilizar a palavra “conversão”, pois é exatamente isso que acontece com uma pessoa quando ela resolve mudar todo seu estilo de vida por uma causa tão nobre. Portanto, há uma transformação na forma antiga de pensar e uma mudança permanente no seu estilo de vida.
Abaixo resumirei as diferentes formas apontadas por Regan de como a consciência animal é adquirida ou construída ao longo da vida.

Os vincianos

Algumas crianças parecem já nascer com uma consciência animal muito aguçada. Sem que ninguém as ensine, elas conseguem entender a vida interior dos animais sem nenhum raciocínio moral ou científico, apenas são capazes de tornar a vida do “outro” parte da própria vida, criando desta forma um grande vinculo de empatia e de uma amizade expressa pelo respeito e pela lealdade. A relação entre a criança e o animal é a do “Eu-Tu”, e não “ Eu-Isso”.
Como essas crianças precocemente sabem o que elas sabem? De acordo com a explicação de Regan, essa consciência é construída através do relacionamento e do conhecimento do seu amigo animal, sim, amigo, pois é semelhante a uma amizade entre humanos, a qual é pautada no comportamento leal, na proteção e na preocupação com os INTERESSES do outro. E para as crianças vincianas, os animais são seus amigos, e comer um amigo morto é algo impensável, algo que jamais desejariam fazer.
Regan chama essas crianças de vincianas, por causa de Leonardo da Vinci, um grande respeitador dos animais. Segundo alguns relatos, Leonardo adotou uma dieta vegetariana na infância por razões éticas. Existe uma frase famosa que Jon Wynne-Tyson faz atribuição a Leornado, que diz: “Eu repudio o uso da carne desde que eu era criança, e chegará o dia em que homens como eu julgarão o assassinato dos animais do mesmo modo como eles julgam hoje o assassinato dos homens”.
Os vincianos são a minoria entre os defensores dos direitos animais. A maioria das pessoas possui a compreensão dos animais herdada, ou seja, de acordo da forma com que a cultura vê os animais. E o paradigma cultural ocidental em geral vê os outros animais como seres que existem para nós, não tendo outro propósito para estar no mundo se não o de atender às necessidades e os desejos de nós humanos. Assim, os porcos, por exemplo, mostram sua razão de ser ao se transformar em fatias de presunto entre duas fatias de pão.

Os damascenos


As pessoas passam pela mudança de percepção de diversos modos, por diversas razões e em tempos diferentes. O termo dasmasceno é baseado na conversão de Saulo, ocorrida na cidade de Damasco. De acordo com a Bíblia, quando Saulo, até então um perseguidor dos Cristãos, estava caminhando pela estrada de Damasco, Jesus apareceu milagrosamente e conversou diretamente com ele. Isso bastou para mudar a vida de Saulo para sempre.
Os damascenos participam da consciência animal de um modo semelhante. Em um momento eles estão aceitando o paradigma cultural; no minuto seguinte, não estão mais. É um momento de plena transformação na mente e no coração. Regan conta a história de uma menina que cresceu criando um carneirinho. Todos os dias pela manhã ela o visitava, escovava-o, limpava-o e lhe dava comida. Até que um dia, quando ela foi até o celeiro para cuidá-lo, o carneiro não estava mais lá, e no jantar da sua casa foram servidas costelas de carneiro. Desse dia em diante, sua vida ficou plena de consciência animal, e o sofrimento de todos os animais, e não só o do seu carneiro, tornou-se a passagem pela qual ela adentrou ao mundo.

Os relutantes

De acordo com a experiência de Regan, existem mais defensores dos direitos animais damascenos do que vincianos. Quando se trata da forma como nós vemos os outros animais, há mais gente que muda por causa de uma experiência única e transformadora do que gente que nasce com uma empatia natural e nunca mais perde. No entendo, o autor aponta que a maioria dos defensores dos animais é composta por pessoas relutantes, gente que primeiro aprende uma coisa, depois outra; que experimenta isso, depois aquilo, fazendo perguntas, achando respostas, tomando uma decisão, depois outra e outra. Não importa quanto tempo demore, os relutantes avançam para a consciência animal passo a passo, pouco a pouco.

Não importa a forma, o mais importante é evoluir para uma consciência animal em nossa alimentação, vestimenta e entretenimento.
Fonte: Livro "Jaulas vazias"

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Piracicaba em foco!!

Para obter melhor visualização, click na imagem.

domingo, 24 de agosto de 2008

Até quando isso acontecerá?

Em pauta

Voalá! As Olimpíadas mal terminaram e lhes trago mais uma reportagem do povo chinês.

Se já não bastasse o consumo de carne canina, mais alguns pratos são aderidos aos dos chineses: ninho de passarinho. Sim, foi o que você pensou, filhotes recém-nascidos de pássaros!


O mercado de Donghuamen tem 89 barracas e foi inaugurado em 1984 no centro da capital chinesa. Ele só funciona à noite.

Nas 89 barraquinhas da feira de Donghuamen, em Pequim, é possível experimentar sabores e ingredientes inusitados como um doce feito de ninho de pássaro frito.


E, para não bastar tal prato exótico e incompreendível por sua natureza, há outros que você ainda desconhece, e o Vegetarianismo em pauta lhes traz na íntegra ...
Os chineses apreciam muito as carnes exóticas, pois acreditam que carnes como a do peixe-espada e da cobra marinha são muito ricas em nutrientes.

Pratos apimentados como as iscas de estômago de boi são típicos da região de Sichuan. Até mesmo os chineses têm reservas a algumas comidas daqui.

Espetinhos de bicho da seda são salgados e fritos. O ideal é saborear bem ainda quente sem deixar escorrer o óleo.

Durante a Olimpíada, o mercado tem lotado com turistas, tanto que o estoque de escorpiões acabou, mas ainda é possível encontrar petiscos como abelhas, centopéias e estrelas do mar.

Testículos de bode é uma iguaria que os chineses procuram para melhorar a fertilidade. Visitantes mais conservadores podem saborear comidas mais comuns.



Antigamente os churrasquinhos de cobra eram feitos com o animal inteiro, mas como a aparência não era muito atraente os vendedores passaram a descamar o animal antes de colocá-lo no espeto.

Revoltante, mas não surpreendente mais, não é mesmo?


Os animais do mundo existem para seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens. (Alice Walker)

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/

sábado, 23 de agosto de 2008

Evento sobre Vegetarianismo em Piracicaba/SP

Os maus-tratos aos animais criados para o abate e o desmatamento de áreas arborizadas para a formação de campo de pastagem, são duas das razões que têm levado muitas pessoas a tornarem-se adeptas do vegetarianismo. As dúvidas sobre os benefícios e cuidados necessários para manter esse tipo de alimentação, serão tema de um evento que acontece no sábado (23), a partir das 20 horas, e pretende levar as pessoas a pensar sobre o que comem.
O médico Cássio Negri, integrante da Sociedade Vegetariana de Piracicaba, será o palestrante da noite, falando sobre o vegetarianismo e sua relação com a saúde e a ecologia. Após a palestra, será servido um coquetel vegetariano, como forma de mostrar aos participantes a variedade gastronômica possível para quem opta por esse estilo de vida.
Segundo Negri, é cada vez maior a quantidade de pessoas adeptas da alimentação vegetariana por diversos motivos. A compaixão pelos animais é um deles, mas há quem deixe de consumir carnes pela preocupação com o meio ambiente e por causa da saúde, considerando que a gordura animal é causa direta de muitos tipos de câncer e doenças relacionadas ao colesterol. "O índice de câncer de intestino no Sul do país é maior que em São Paulo, porque lá eles consomem mais churrasco. As pessoas se preocupam com a falta de proteínas, mas não tem problema, porque elas também estão em alimentos como a soja, o feijão e outros grãos, que têm mais proteínas que a carne", falou o médico, vegetariano há 25 anos.
Quanto à falta de ferro, absorvido mais facilmente pelo consumo de carne, também pode ser encontrado em vegetais e verduras de cor verde escuro. Se consumidos com laranja e limão, fontes de vitamina C, ajudam na absorção mais rápida do nutriente.
Há também os veganos, vegetarianos mais radicais, que não consomem carne e nem derivados produzidos por animais, como leites e ovos.
Muita gente deixa de ser carnívora para poupar o meio ambiente. A extinção das florestas está intimamente ligada à ampliação dos pastos para criação de gado.
CONSCIÊNCIA.
A indústria da carne se tornou uma das mais cruéis, afirma o médico. Desde que nasce até quando é abatido, o animal passa por um calvário. O processo visa à engorda rápida do animal, sem medir seu sofrimento.
Os animais destinados à alimentação humana estão fora das leis de proteção contra os maus-tratos. Passam por situações como castração, marcação a ferro em brasa sem anestesia, abate sem insensibilização prévia, aplicação de hormônios, antibióticos, corte de bicos, alimentação artificial ininterrupta, ficam presos em pequenos espaços, onde não conseguem se mexer, para que engordem rapidamente. "Com o baby beef, literalmente carne de bebê, é cometida uma maldade. Os bezerrinhos vão para o abate carregados, tal seu estado de fraqueza e anemia. Desde que nascem, são privados da luz do sol e ficam presos para que não andem ou corram, para que não criem músculos e sua carne seja macia e rósea."
CURIOSIDADE.
Um outdoor da Sociedade Vegetariana Brasileira, sobre o evento, instalado em um ponto da avenida Carlos Botelho, tem chamado a atenção das pessoas desde sexta-feira (15). Na imagem, o autor Flávio Giusti tenta expressar a causa vegetariana como se fosse um anúncio de filme, do tipo "Jogos Mortais".
SERVIÇO
Palestra “Vegetarianismo”’ Com o médico Cássio Negri, da Sociedade Vegetariana de Piracicaba. Sábado (23), às 20 horas, à avenida Carlos Botelho, 467. Ao final, coquetel vegetariano.

Por Daniele Ricci da Gazeta de Piracicaba

 
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